Mónica Pinto Opinião

OPINIÃO: Dia Internacional do Voluntariado

Mónica Pinto, 55 anos, Locutora de rádio

No dia 5 de dezembro, assinalou-se o Dia Internacional do Voluntariado, nas suas variadas áreas de atuação, desde instituições de solidariedade social, passando pelas bibliotecas sonoras, hospitais, em territórios que vivem situações de conflito, em campos de refugiados, em comunidades necessitadas de diversos serviços, em que a presença do voluntário é precisa e valorizada.

O Dia Internacional do Voluntariado celebra-se tanto em Portugal, como em todo o mundo e tem como objetivo dar visibilidade a tantas pessoas, que, de forma gratuita, oferecem as suas competências e o seu tempo para o bem-estar do próximo.

Esta data foi proclamada pelas Nações Unidas, em dezembro, a partir de 1985, como forma de enaltecer todos aqueles que prestam auxílio e ajuda humanitária graciosamente, em tantas comunidades por esse mundo fora, e que são de verdade uma força de inspiração para todos nós.

Em Portugal, e apesar do número de voluntários ter aumentado, continua aquém da média europeia.

Ser voluntário, para além do ato de cidadania, é mais que isso, é saber adaptar-se a diferentes situações e pessoas. É saber escutar, é ser paciente, empático, é amar o próximo como a si mesmo. É ser perseverante, dedicado, respeitador e disponibilizar as suas competências e talento em benefício de quem precisa.

Todo o serviço voluntário deve ser encarado e vivido de forma especial, sendo o que se realiza em contexto hospitalar, um dos mais especiais, uma vez que o voluntário está junto de pessoas doentes, daí a sua presença ser preciosa e muito apreciada por quem está numa cama de hospital recuperando a sua saúde.

É um privilégio ser voluntário em saúde, contudo, é necessário ter características especiais, como: sensibilidade, alma e coração, ser solidário, generoso, disponibilidade, ter humildade. Espírito de interajuda e honrar o seu compromisso para com a instituição, o doente e seus familiares, e nunca se servirem do facto de serem voluntários para benefício próprio ou interferir no serviço dos técnicos de saúde.

Como voluntária, estive presente no II Seminário do Dia Internacional do Voluntariado, assinalado pela Associação de Voluntariado do Centro Hospitalar de São João, que teve lugar no Auditório do Centro de Investigação Médica da Faculdade de Medicina, que contou com a preleção do Dr. Carlos Dias, presidente da direção da Associação, que dirigiu a todos os voluntários presentes palavras sábias e orientadoras para uma melhor prestação do nosso serviço junto dos doentes.

Todos nós, enquanto voluntários, tivemos também o privilégio de escutar o Dr. Joaquim de Andrade, ex-diretor do Serviço de Hematologia Clínica do Centro Hospitalar São João, que fez a distinção entre doente e doença, para sensibilizar o voluntário em saúde para esta diferença, passando pela definição da qualidade de vida em relação com a doença.

A intervenção do Dr. Pedro Brito, do Serviço de Humanização do Centro Hospitalar São João, foi também significativa, uma vez que nos falou da importância da palavra e do silêncio, ou seja, da Comunicação que é tão relevante no nosso relacionamento com o outro e com os cuidados a ter junto do doente.

A melhor comunicação começa com longos silêncios, na procura de uma confiança e respeito pelo outro e tudo isto demora o seu tempo e requer paciência. Quanto melhor for a comunicação, melhor será a humanização junto do doente. Somos todos iguais, mas todos diferentes e só seremos capazes de cultivar a igualdade entre as pessoas se formos capazes de reconhecer as diferenças, a individualidade de cada um.

Todos temos algo para dar e receber, todos somos indigentes, segundo as palavras do Dr. Pedro Brito, e a empatia na comunicação deve ser levada em conta. Devemos ser o rosto da hospitalidade, com uma comunicação assertiva para com todos.

O voluntariado proporciona o crescimento a quem o faz e torna-os melhores pessoas, sem dúvida alguma.

Abracei o voluntariado em saúde, há algum tempo, na disposição de servir todas as pessoas que se encontram internadas a recuperar a sua saúde, comprometendo-me a estar sempre presente e distribuir por todas, de maneira diferente, afeto, atenção, palavras de esperança, alegria, abraços, e ajudá-los, sempre que necessário, a alimentarem-se, sem esquecer os familiares que também precisam de carinho e muita atenção.

É uma experiência maravilhosa, que me tem proporcionado um crescimento e enriquecimento pessoal grandiosos, porque junto de cada pessoa eu tenho aprendido muito. Tenho dado muito de mim, mas recebo a dobrar do outro. Sem dúvida que encontrei a minha missão, nesta dimensão, e quero dar e fazer o meu melhor todos os dias da minha existência. Gratidão é o que eu sinto sempre que estou ao serviço de quem mais precisa.

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