Mónica Pinto Opinião

OPINIÃO: Medo

Mónica Pinto, 55 anos, Locutora de rádio

No meu dia a dia, observo muitas pessoas a iniciarem uma semana de trabalho com demasiado desânimo, arrastam-se até aos locais de trabalho com uma vontade considerável de fuga, mas há contas para pagar e, de facto, não existe saída, senão a obrigação de trabalhar e, contrariadas, produzirem o suficiente para não pararem à porta do Centro de Emprego da sua área de residência.

É uma situação desoladora constatar que são poucas as pessoas que trabalham com paixão porque gostam de verdade muito do que fazem no seu dia a dia e, portanto, retiram satisfação no desempenho do seu trabalho.

Onde estará o mal desta situação desconfortável? Talvez na falta de empatia por parte dos empregadores, por um lado, por outro, a falta de espírito de entreajuda entre colegas.

O mal-estar que se instala, provocado por uma clara falta de comunicação entre companheiros de trabalho, assim como, a competitividade no seio de uma equipa laboral, gerará conflitos e desconforto e uma baixa na produtividade e consequente falta de motivação para encarar mais um dia de trabalho.

Existem também pessoas que têm uma remuneração considerável, mas que não se sentem felizes com o que fazem, contudo, o medo fala mais alto e o facto de não saberem o que encontrarão fora da sua zona de conforto obriga-os a suportarem o ofício que têm.

O Medo torna-nos vulneráveis e prisioneiros de determinada situação. Infelizmente, vivemos numa sociedade cheia de medo, senão vejamos: temos medo de perder o nosso emprego, mesmo não gostando dele, porque não sabemos o que nos espera fora da nossa zona de conforto, então, aguentamos tudo e mais alguma coisa em prol de um bem-estar fictício, causador de instabilidade física e emocional, consequência: uma percentagem considerável de pessoas com depressão, tomando medicação ou fazendo tratamentos de psicoterapia para aliviar os sintomas de esgotamento provocado pela sua profissão.

É evidente que existem pessoas que valorizam muito mais a sua saúde mental e física e, como tal, tomam atitudes que para outras seria impensável.

Um destes dias, uma pessoa contou-me o que se passou consigo em contexto laboral, trata-se de alguém que precisa muito de trabalhar, mas há valores dos quais não abdica, como o seu bem-estar psíquico.

Foi a uma entrevista de trabalho, foi contratada e apenas aguentou uma semana, porque o que viu não lhe agradou, de todo. A pressão exercida pelo chefe de equipa sobre os trabalhadores era de cortar a respiração, a competitividade no seio do grupo de trabalho alarmante.

O coordenador terá dito numa sessão de formação que não queria ver colegas de trabalho a ajudarem-se e foi mais longe, dizendo que imaginassem que estavam num regime nazi. Ora, isto foi a gota de água para a pessoa que me contou este episódio, ter tido a coragem de se despedir sem sequer olhar para trás.

Garanto-lhes que esta pessoa precisa muito de trabalhar, porque, tal como todos nós, tem contas para pagar e uma mesa sobre a qual tem de pôr alimentos. Contudo, teve a coragem de dizer não a tanta falta de respeito. Sim, está a passar por um momento menos fácil e os alimentos escasseiam sobre a sua mesa, mas ela sabe que dias melhores surgirão e o medo não a prendeu a uma situação que despoletaria um mal-estar que nenhum dinheiro compensaria.

Servindo-me das palavras do Dr. Paulo Vieira de Castro: “A civilização vive ao lado do medo. Insucesso, solidão, infelicidade, desemprego, divórcio, pobreza, estes são conceitos que a todos amedrontam no mundo contemporâneo, distraindo-nos daquilo que realmente importa: ser inteiro”.

É o medo e não o ódio que nos torna irracionais. O oposto do amor não é o ódio. É o medo. Por isso, enquanto houver medo, não haverá paz, dignidade, amor, liberdade… nem humanidade.

O medo é mais forte do que qualquer um dos melhores sentimentos humanos. É disso que nos fala a história contemporânea: de uma civilização assustada. A justiça não está no facto de termos um emprego. Esse é o logro da economia do Medo. A justiça está em se poder dizer “NÃO” àquele emprego. Isso só será possível, segundo as palavras de Paulo Vieira de Castro, quando houver um rendimento cidadão incondicional para todos. Só deste modo o poder de quem trabalha não estará mais do lado dos patrões.

Deixo-vos esta semana com as palavras do Dr. Paulo Vieira de Castro, diretor no departamento de bem-estar nas organizações do I-ACT- Institute of Applied Consciousness Technologies (USA), para que, de qualquer forma, vos sirva de reflexão e vos ajude a entender o que de facto devem valorizar nas vossas vidas.

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