Mónica Pinto Opinião

OPINIÃO: O Ensino versus privilégio

Mónica Pinto, 55 anos, Locutora de rádio

Como é possível que estudar esteja cada vez mais caro? O acesso à escola e ao ensino superior deveria ser gratuito para todos, ou para a grande maioria, porque só alguns conseguem pagar as propinas exorbitantes que se praticam, tanto no ensino privado como no público, sendo que neste último é ligeiramente mais acessível. Porém, de que vale se os alunos tiverem que se deslocar para outros pontos do país distantes de suas casas?

As candidaturas via online, outro stress. Resultado, raras vezes acontece os estudantes ficarem nas faculdades que desejam. É uma autêntica corrida desgastante.

Bolsas de estudo, outra corrida, será que se chega à meta? Ou seja, serão atribuídas àqueles que de verdade necessitam delas para se formarem superiormente? E quanto tempo demoram a ser atribuídas? Meses? O ano todo? São milhares de pedidos! Se o ensino fosse gratuito, não se iniciaria um ano letivo com os nervos à flor da pele.

Não é justo que o ensino, a que todos temos direito, seja só para alguns e que muitos pais tenham que pedir ajuda bancária para que os seus filhos consigam fazer uma licenciatura. Se o retorno fosse positivo, seria excelente, contudo, o que se verifica é muitos destes alunos engrossarem as filas dos Centros de Emprego e se vejam forçados a emigrar para ter direito a trabalho nas áreas para as quais estudaram.

Lamentável é que um governante o tenha dito. O ótimo é que após a sua saída do governo do país, tivesse ele que emigrar, porque estaria no desemprego e a receber o salário mínimo nacional. Como eu gostaria de ver todos os políticos e seus secretários a auferirem o salário mínimo! Como seria deixar de ter uma vida de fausto? Não poderem ter os seus filhos a estudar por falta de meios financeiros, os carros topo de gama, serem substituídos pelo desconforto dos autocarros e afins e contarem todo o ano os tostões. Todos os meses terem que fazer um furo a mais nos seus cintos por estarem a ficar sem as suas enormes e deformadas barrigas.

Porquê que a maioria tem que trabalhar até tão tarde em trabalhos desgastantes e verem os seus esforços reduzidos a reformas de fome? Enquanto os políticos, ao fim de poucos anos, têm direito a reformas chorudas? Até quando vamos olhar para estes absurdos sem nada fazermos?

Greves não resolvem nada. Guerras, nem pensar. Justiça seria feita se o exemplo viesse de cima. Se a maioria tem que governar as suas vidas com salários mínimos, porque não começar pelos políticos, salário mínimo, ou trabalho voluntário? Pois! Se os que estão sentados na Assembleia fossem todos voluntários, acredito que as cadeiras ficariam vazias de dorminhocos e só iria para lá quem amasse fazer o bem pela construção de um país mais justo, mais igualitário, mais inclusivo, menos poluído, mais limpo em todos os aspetos. Estou em crer que seríamos um povo mais unido e que todos juntos ergueríamos um país com mentes brilhantes e cooperantes.

Todos unidos podemos melhorar e muito a vida dos nossos descendentes, proporcionando-lhes iguais oportunidades.

Tempos houve em que culpámos a ditadura pela grande taxa de analfabetismo. Agora vamos culpar quem pela desigualdade no acesso ao ensino? Vamos culpar quem pelas grandes filas junto aos Centros de Emprego? Vamos culpar quem pela elevada taxa de depressão da população em geral? Por jovens desorientados, com um presente incerto, cuja única solução, vinda de quem governa os destinos da Nação, é abrir-lhes a porta e mandá-los sair do seu país?

Até quando vamos varrer a Cultura para debaixo do tapete? Até quando dar formação académica e um melhor futuro profissional será apenas para alguns? Sim, é um facto que não podemos ser todos doutores, mas um pedreiro, um carpinteiro uma empregada de limpeza, não merece ter formação escolar ou dá-la aos seus filhos?

Desperdiçam-se tantos milhões de euros em ordenados chorudos com políticos que o deveriam ser voluntariamente e com tantas outras “tretas”, enquanto a Cultura e a saúde não saem dos mesmo lugares de sempre, na cauda da fila, das prioridades de um governo escolhido pelo povo. Será que o fizeram conscientemente, ou porque simpatizaram com a presença e as palavras escolhidas para as campanhas eleitorais, que deviam ser financiadas pelos próprios interessados e não pelos contribuintes?

Até quando vamos aceitar que a Cultura, que começa nos bancos da escola, continue a ser tão negligenciada?

A melhor arma de um povo é a sua Cultura. Enquanto contribuintes pagamos tantos impostos, então que estes sejam aplicados num melhor e gratuito ensino dos nossos descendentes, para que amanhã nos possamos orgulhar do nosso povo e da nossa Nação.

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