Mónica Pinto Opinião

OPINIÃO: A Inclusão Social

Mónica Pinto, 55 anos, Locutora de rádio

Presentemente fala-se muito em inclusão social, mas ainda se faz pouco para que o desejo de muitos seja aceite e realizado pela vontade de todos.

No que há multideficiência diz respeito, a inclusão deverá começar no seio familiar. Existem muitas famílias que, por puro protecionismo, outras por receio de serem estigmatizadas, não querem, ou evitam o mais que podem que os seus filhos interajam em qualquer contexto social. Estas crianças e jovens veem-se, desta forma, limitados ao convívio em família e, normalmente, vivem muito isoladas.

Em que beneficiarão estas crianças que não podem conviver com as demais? Não evoluirão, não terão alegria de viver, não desenvolverão as suas faculdades de adquirir conhecimentos, não experimentarão emoções novas e os seus talentos ficarão fechados a sete chaves, porque não lhes damos a oportunidade de se exporem e extravasarem o que lhes vai na alma. Dizer-lhes que muitas destas crianças, jovens e adultos, normalmente, e no que diz respeito às artes, são excelentes e surpreendentes artistas.

Há, entretanto, os rótulos que fazemos questão de os implementar para delimitar uma determinada linha que queremos a toda a força manter, para separar o normal do diferente. Quantas vezes se observa pais a aconselhar seus filhos a não brincar com aquela criança porque está numa cadeira de rodas, ou porque tem um comportamento instável e não convém aproximarem-se para não as magoarem ou serem magoados?

Lembrar, será preciso, que independentemente de diferenças entre os “iguais”, quantas vezes estes não praticam entre si atos condenáveis de violência verbal e física?

Quantas crianças nasceram normais e por negligência médica ficam limitadas de variadas formas? É bom lembrar que este tipo de situações, que devem ser evitadas a todo o custo, também acontecem na vida adulta.

Então, vou tratar de forma menos agradável essas pessoas, ou evitar olhá-las nos olhos porque têm uma limitação que não pediram para as suas vidas? Todos estamos sujeitos a situações imprevistas. Então, que tal usarmos de empatia para incluirmos nas nossas vidas, de igual forma, todas as pessoas?

Quanto às barreiras que continuam a dificultar o acesso às pessoas que usam cadeira para se deslocarem, é urgente derrubar os obstáculos e substituí-los por rampas suaves e que facilitem a igualdade de livre circulação. O gritante é que ainda existem muitos edifícios públicos que pecam por nada fazerem para melhorar as acessibilidades a todos os cidadãos. Incluindo os invisuais.

E a propósito, quantas vezes, nós que não temos limitações, caímos em plena via pública pelo mau estado do piso, em passeio e mesmo na rua, quando a temos que atravessar? Qual é a sensação que experimentamos quando tal nos acontece? Vexame é a resposta, isto, se não tivermos provocado ao nosso corpo danos maiores, agora imaginem quem tem limitações físicas.

Libertemos a nossa mente de preconceitos e aceitemo-nos conforme somos – todos diferentes, mas todos iguais.

Por outro lado, há muitas pessoas com limitações que se servem desse facto para serem os eternos “coitadinhos” e, para tal, terem desculpa para tudo e para nada. Mais um comportamento reprovável, condenável mesmo.

Todos temos direitos e deveres como cidadãos e, para além do mais, convém sermos conscienciosos.

É urgente darmos iguais oportunidades a todos e estimular, motivar e ajudar, através de atos de solidariedade benigna os que de nós precisam. Como? Com a nossa experiência de vida, com a nossa alegria, com sorrisos plenos de luz, com palavras repletas de coragem, com afetos, criando laços de amizade e bem querer. Fazer bem a todos os que nos rodeiam, tem um retorno extrassensorial simplesmente maravilhoso.

Boa semana e, já agora, sejam felizes e espalhem essa felicidade por todos.

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