Esta semana subimos um escalão e voltamos à Série B do Campeonato de Portugal, para uma prometedora recepção do CD Trofense – que pretende voltar em breve ao escalão máximo, onde esteve há apenas oito anos – ao SC Espinho – um histórico da área metropolitana do Porto que regressa esta época aos nacionais!
Um estádio com condições muito razoáveis – tendo em conta que o seu anfitrião milita num campeonato não-profissional – recebeu os espectadores que lá se deslocaram, na esperança de passar uma boa tarde de futebol.

Antes do apito inicial, realizou-se um minuto de silêncio em memória de Fernando Mota, roupeiro do Trofense falecido durante um treino de preparação para este jogo.
Sem o treinador Nuno Valente – campeão europeu em 2003/04, enquanto jogador, pelo FC Porto – no banco, foi o adjunto Rui Matos a orientar a equipa mais de perto. Do lado visitante, é Rui Quinta, ex-adjunto de Vítor Pereira no… FC Porto, o comandante.
Os trofenses entraram pressionantes e lograram chegar ao golo logo aos 10 minutos, por intermédio de Mika – ao antecipar-se de cabeça a toda a defesa alvinegra – na sequência de um livre lateral. O experiente luso-francês, que passou metade da época passada na Trofa, é conhecido dos adeptos mais atentos, tendo-se notabilizado no Feirense.
O jogo estava dividido, com mais combate a meio-campo do que criatividade para arquitectar as melhores soluções para dar sequência aos lances.

Neste período, destaque para alguns lampejos do desequilibrador Serginho e do “pernas arqueadas” João Coimbra. O número 10 fez quase toda a formação na equipa da casa e regressou esta época, após uma experiência nos azeris do FK Kapaz. Já Coimbra é uma antiga promessa do Benfica, que se evidenciou no Estoril e cujas pernas arqueadas passam todo o futebol trofense.
O intervalo chegou com vantagem para os azuis com pormenores vermelhos, mas os alvinegros entraram dominadores na etapa complementar, parecendo espicaçados por eventuais palavras de Rui Quinta.

A primeira ameaça teve origem num cruzamento perigoso de Samu – extremo promissor cedido pelo Boavista -, com a defesa dos visitados a rechaçar. Do outro lado, o australiano Carter – autor de 15 golos na época passada – cobra um livre “traiçoeiro”, com efeito ao contrário inverso ao padrão habitual, mas a bola passa por cima da trave.
Aos 72 minutos, os tigres da Costa Verde conseguem empatar, com Carlitos a tirar partido da falha no alívio de Mika a um cruzamento inofensivo de Gilson Varela, empurrando o esférico para o fundo das redes de Rodolfo.

Reagindo de imediato, o brasileiro Alexandre Garcia – contratado aos sadinos do Vitória FC, que o tinham “emprestado” na época passada – faz um balão que sobrevoa a adiantada defesa espinhense e isola Carter, mas o australiano não teve a frieza necessária para contornar a “mancha” do guarda-redes Leo Lechsenring.
Em mais uma bola longa, desta vez, é o Sporting de Espinho a isolar o avançado Varela, que temporiza em demasia e falha clamorosamente, acertando nas “orelhas” da bola.
Ao minuto 79, uma brilhante triangulação iniciada pelo recém-entrado Paulinho, passando pelo autor do tento do empate – Carlitos – e concluída por Bruno Gomes, com último a cruzar largo, mas aparentemente ao alcance do guarda-redes, que falha a intersecção; a bola sobra para Varela, que estoura para o poste mais distante da desamparada baliza.

Apesar da tentativa caseira de evitar a derrota, os jogadores do Espinho, “empurrados” pelos inúmeros e entusiastas adeptos que se deslocaram à Trofa, conseguiram proteger esta importante vitória, em casa de um oponente com os índices de confiança claramente em baixo.
Com apenas dez jornadas decorridas, o Trofense ainda vai a tempo de “acertar o passo”, mas é o Espinho que se junta ao grupo dos líderes do campeonato, com um dos melhores ataques e uma garra que faz lembrar os bons velhos tempos deste histórico, até há pouco “adormecido”.
Este autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico.




















